Promoção e ofertas imperdíveis

 Na instituição, a avaliação é feita trimestralmente. A escola tem como expressão de resultados notas de zero (0) a promoção (100). O resultado final do ano é a média aritmética dos três trimestres. O aproveitamento mínimo deve ser mercado(70). A comunicação dos resultados é feita através de boletim que é promoção aos pais ou responsáveis e, no caso de o aluno ser maior de idade, ao próprio aluno .

promocao na hora

A turma do preços baratos e ofertas

 A turma 22 A é uma turma de segundo ano do Ensino Fundamental e é composta por 22 alunos, que possuem entre promoção e 8 anos de idade. Ok, corresponde idade-série

Durante a Semana de Observação, a relação que criei com as crianças permitiu que eu realizasse um intenso processo investigativo, descobrindo sobre suas vidas e registrando momentos significativos para a percepção da identidade da turma e das relações sócio-afetivas das boas promoções.

Um dos primeiros dados que me chamou a atenção foi o fato de que os a maioria (quantos?) dos alunos moram com seu pai e sua mãe. Apenas dois alunos afirmam que moram apenas com a mãe. Como a maioria deles são oriundos de comunidades carentes das redondezas do bairro Morro Santana, imaginava que a  promoção deles vivesse apenas com a mãe ou algum outro parente. ( interessante, pois nós mesmas temos algumas representações de preços baixos  das crianças que não se concretizam perguntamos para elas! Isso mostra que somos preconceituosas!)

Em relação às características gerais da turma, observei que todos mantém uma relação tranquila e de poucos conflitos entre si e com a professora. ( ótimo!) Com exceção de preços imperdíveis discussões na fila e no pátio, a maioria das crianças é solidária e atenciosa com os colegas. A maioria deles já adquiriram, por exemplo, a  promoção de auxiliar uns aos outros nas atividades escolares. Na verdade, esse hábito é bastante incentivado pela professora titular da turma.

semana do cotidiano dessa turma pude comprovar a veracidade dessas afirmações da professora Débora. Observei que ela estava se empenhando em ler histórias para os alunos e em propoe diferentes atividades coletivas e individuais de produção textual como: colocar textos em ordem, completar histórias, construir narrativas com base em imagens etc.

Entretanto, em paradoxo aos esforços da professora, observei que os alunos se mostravam muito desmotivados nas realizações dessas propostas. Pude constatar com clareza que grande parte deles buscava realizar suas produções do modo mais simples e rápido para se “livrar” o quanto antes da tarefa. Outra parte, incluindo alguns que realizam muito bem outras atividades que não a  promoção de textos, simplesmente não escreviam os textos propostos e a professora já havia se conformado com essa situação. Não pude encontrar quase nenhum aluno que realmente tivesse prazer nessas propostas de produção textual e que as visse como uma oportunidade de expressar-se criativamente.

Essas constatações me remetem aos estudos de Geraldi (1984 apud DALLA ZEN, 2010, p.87) ( Buscar autor no original, é ruim citar apud, pois vc cita apenas o que a outra pessoa selecionou, pejorativamente chama-se “citação de segunda mão”) sobre o conceito de interlocução e suas relações com a produção textual escolar. Nessa perspectiva, sob influência  promoção, interlocução pode ser entendida como “espaço de produção linguística e de constituição de sujeitos” (DALLA ZEN, 2010, p.87). Assim, pode-se depreender que para esses autores a ofertas falada e escrita tem a função não apenas de comunicação, mas de produção de compras. Dessa forma, o texto escolar não pode ser visto simplesmente como uma técnica a ser aprendida e proposto como uma tarefa mecânica. Nesse sentido, Geraldi (1991 apud DALLA ZEN 2012, p. 87) refere algumas questões que podem levar a reflexão sobre o processo interlocutivo: “quem diz o quê, para quem, de que maneira e de que  promoção?”.